Program Notes

 

(english version)

 

Wilson Sukorski

 

 

Technicki

Technicki é minha primeira experiência naquilo que chamo de música cyberpunk. A música foi inspirada na antologia cyberpunk "Mirrorshades" publicada por Bruce Sterling e William Gibson. Não há uma história que é seguida, pelo contrário, a origem dos trechos musicais foram tiradas de nomes que colhi dentro dos contos, nomes que não tinham nenhum sentido especial, mas eram carregados de sentido especial (Sinner, MiniMono, etc). Utilizei os nomes para organizar o sentido e a estrutura das 16 pequenas canções que compõem o trabalho. Aqui apresento 3 deles.

A música deve ser tocada muito alta e num sistema de boa qualidade.

A apresentação completa incluia eletrônica ao vivo (Wilson Sukorski), 2 saxofones (alto e tenor por Livio Tragtenberg) e um performer muito agressivo (João Andreazzi) suspenso numa corda à 20 metros sobre o público, foi apresentada durante o Festival de Inverno de Campos do Jordão em julho de 1993. 

Mecânica Popular

Um dos primeiros trabalhos que compus utilizando o software de síntese CSound, desenvolvido por Barry Vercoe do MIT (Massachussets Institute of Technology) baseado nos programas tradicionais da família MUSIC do início dos anos 60.

Em Mecânica Popular uso basicamente sons concretos de metais (raspados e em queda) transformados através de algorítmos de "phase vocoder" e síntese granular; vozes transformadas por algorítmos de síntese granular e longas notas renderezidas por síntese aditiva. 

A forma musical desenvolve o potencial do material de base, e está poeticamente baseada na história em quadrinhos "A Garagem Hermética" de Mr. Möebius. A peça pode também ser realizada com eletrônica ao vivo, percussão brasileira primitiva e soprano.

Minha intenção aqui foi a de criar a impressão de uma jovem senhora na janela de casa no Brás (bairro italiano de São Paulo) cantando estranhas "tarantelas" observando o estranho mundo criado por "Möebius"...

Aqui você encontrará a versão eletrônica da peça.

O trabalho no formato completo teve sua estréia no teatro do "SESC Vila Mariana" em março de 1998.

Árvore (WS2)

Walter Smetak foi um construtor e inventor de instrumentos musicais inusitados Suíço/Bahiano. Durante toda sua vida desenvolveu cerca de 129 instrumentos utilizando-se de materiais primitivos e étnicos brasileiros como : cabaças, cocos e outros.

Após sua morte em 1984 todos os seus instrumentos foram completamente abandonados. Em 1997 o SESC São José do Rio Preto me contratou para recuperar 20 dos seus mais importantes instrumentos. O que fiz com ajuda de luthiers (da tradição de violas caipiras) com muita alegria. De posse dos instrumentos recuperados tive a oportunidade de gravar alguma música com eles. 

A Árvore é um instrumento com 42 cordas fixadas num lado em um eixo de madeira dentro de um cano de cobre e de outro numa base de madeira maciça. No topo do cano há uma enorme cabaça como uma copa de árvore. Sua sonoridade é inusitada, com um aspecto timbrístico muito rico devido às cordas de diversos tipos.

Utilizei as gravações originais feitas em 96 no saguão do "SESC São José do Rio Preto", geralmente realizadas durantes longas madrugadas. Parte deste material foi transformado com CSound - síntese granular e filtragens ativas. Pequenos 'loops' foram construídos ao redor da melodia principal - por montagem.


Link para a página de  Walter Smetak
(dentro do site de Gilberto Gil)

Suíte Dédalus

foi apresentada como abertura para a peça "Dédalus" realizada pelo Grupo Ueinzz. Dédalus o primeiro inventor. A peça é representada por pacientes de saúde mental do Instituto "A Casa" . Normalmente durante as apresentações costumo tocar ao vivo - piano, instrumentos eletrônicos - ou meus próprios instrumentos (Gran Corda e Baixo Tótem) 

A peça foi totalmente renderizada em CSound usando os algorítmos de modulação de amplitude (AM), modulação de frequência (FM) e síntese aditiva. No final da peça ouve-se alguns pássaros que foram modificados através de análise/resíntese lpc (linear predictive code). 

A idéia original da peça é produzir um ambiente calmo e reflexivo, onde o silêncio joga o papel principal. Frequências e harmônicos são utilizados no limite do humano. Cuidado, sons pontiagudos podem irritá-lo...

Squizophonia

é a tentativa de se criar um discurso temporal e musical mítico e primordial. Relacionado com os conceitos de tempo fraturado, onde os encontros, superposições, trombadas, são os principais elementos da estética. Este é o tempo dos homens loucos, dos profetas e dos santos

Construída para ser tocada de forma aleatória, a composição é formada por 482 pequenas partes distribuídas entre os instrumentos. Cada instrumento deve ser pensado como solista. Para sexteto : trombone, trumpete, trompa, clarinete, violino e cello.

Gravação realizada ao vivo no Centro Cultural São Paulo, por um grupo de música de câmara da Orquestra Sinfônica de São Paulo.

Visite o site do Sérgio Penna da Cia Ueinzz de Teatro

Recuerdo (Samba Industrial)

Originalmente composto para a inserção em um programa de televisão (Metrópolis - TV Cultura SP) numa apresentação bem humorada tocando piano de brinquedo ao lado de Livio Tragtenberg tocando saxofone de brinquedo. Brincadeira que não deu muito certo entretanto, é uma aproximação do universo do samba brasileiro com todos os clichets característicos.

Uma certa desconstrução está implícita na composição em si.Ao mesmo tempo evoca os tempos modernos de caos, aparente confusão e ao mesmo tempo, firmeza, certeza e ousadia.

Dos Mendigos

Música incidental para o espetáculo de dança "Os modos da Moda" de Suzana Yamahuchi. Um desfile de "modas" realizado por aqueles que jamais poderão desfrutar da beleza, do poder, da futilidade : nós, todos nós os excluídos. O texto sarcástico em francês misturado com português foi concebido e interpretado pelo ator Paulo Goya.

A música é composta por instrumentos acústicos e eletrônicos, numa série rítmica que lembra por vezes o baião, por outras, a música chamada industrial. Reforça e serve de apoio para a complexa interpretação de Paulo Goya, criando zonas de maior ou menor tensão o que só aumenta o sarcasmo e o lirismo da peça.

E1S

Pequeno excerto da música composta para a instalação "A Energia de um Sonho" concebida e realizada por José Wagner Garcia, dentro das comemorações de 50º aniversário da Petrobrás. Um inflável de 20 por 6 metros com painéis explicativos sobre a pesquisa científica de ponta realizada pela empresa e uma instalação especial chamada "Desvio para o Vermelho" - projeção em 360º com 12 DVDs e música em Dolby 5.0.

Composta para orquestra de cordas e harpa, foi criada partindo de conceitos de harmonia espectral (a base conceitual é série harmônica natural) representando a primeira fase do tríptico : a Natureza, a Técnica e o Homem. Nada mais natural que a representação e ressíntese de sons naturais via orquestra.

Gravada no Rio de Janeiro pela Orquestra Petrobrás Pró Música, regência : Carlos Prazeres.

Caligrama

Excerto da música para o curta metragem "Caligrama" de Eliane Caffé. Composta com percussões de diversas matizes e origens, formando "clusters" por acumulação e nuvens por densidade, caminhando para um único momento de afirmação.

Gravada em estúdio em São Paulo em abril de 94. Todos os instrumentos foram tocados por Wilson Sukorski.

Olhos de Vampa

Música dos créditos finais do longa metragem "Olhos de Vampa" de Walter Rógerio. O filme retrata de maneira pouco usual a história de um suposto vampiro (advindo do lixo e dos lixões) que habita o Largo da Batata em Pinheiros, Sampa. A sua peculiaridade mais marcante é, além de suas preocupações filosóficas sofisticadas, o fato de sugar até a última gota de suas vítimas (todas belíssimas mulheres) através de mordidas na bunda. Este é o vampa o vampiro de sampa.

Montagem eletrônica para 16 vozes femininas de Mônica Salmazo, sobre tema improvisado "no clima" dos cantos ciganos e búlgaros, mais instrumento Peixe, transformado eletronicamente, voz de baixo e sons urbanos.