Wilson Sukorski
 

Polonês

Adam Mickiewicz

Cisza morska


Na wysokosci Tarkankut

Juz wstazke pawilonu wiatr zaledwie musnie,
Cichymi gra piersiami rozjasniona woda;
Jak marzaca o szczesciu narzeczona mloda
Zbudzi sie, aby westchnac, i wnet znowu usnie.

Zagle, na ksztalt choragwi gdy wojne skonczono,
Drzemia na masztach nagich; okret lekkim ruchem
Kolysa sie, jak gdyby przykuty lancuchem;
Majtek wytchnal, podrózne rozsmialo sie grono.

O morze! posród twoich wesolych zyjatek
Jest polip, co spi na dnie, gdy sie niebo chmurzy,
A na cisze dlugimi wywija ramiony.

O mysli! w twojej glebi jest hydra pamiatek,
Co spi wposród zlych losów i namietnej burzy;
A gdy serce spokojne, zatapia w nim szpony.

 

 

A Calma do Mar
(das montanhas de Tarkankut)

A bandeira no pavilhão mal se move,
A água estremece levemente ao sol;
Como alguma jovem donzela prometida sonhando
Meio acordada, da alegria que poderia ter sido dela,

Os marinheiros sobre os mastros simples cilindros,
Hasteados como bandeiras em tempo de guerra
O navio preso, acorrentado nas águas halicon,
Com marinheiros dolentes, sorridentes passageiros.

Oh mar, entre suas felizes criatura, no fundo
Abaixo, um pólipo sonha através da tempestade,
Seus longos braços retesados, dardos envenenados.

Oh pensamento, a hidra, memória, adormecer
Até o fim dos maus dias, e a paz tomará forma
A pungir sua garra em teu coração calmo.


Tradução livre : Wilson Sukorski

 

Espanhol

César Vallejo
Trilce

- I -

Quién hace tánta bulla, y ni deja
testar las islas que van quedando.

Un poco más de consideración
en quanto será tarde, temprano,
y se aquilatará mejor
el guano, la simple calabrina tesórea
que brinda sin querer,
en el insular corazón,
salobre alcatraz, a cada hialóidea
grupada.

Un poco más de consideración,
y el mantillo líquido, seis de la tarde
DE LOS MAS SOBERBIOS BEMOLES

Y la península párase
por la espalda, abozaleada, impertérrita
en la línea mortal del equilibrio.

 

 

 

- I -

Quem faz tanto barulho, e nem deixa
legar as ilhas que vão restando.

Um pouco mais de consideração
em quanto será tarde, recente,
e se aquilatará melhor
o guano, a simples calabrina tesórea
que brinda sem querer,
no insular coração,
salobre alcatraz, a cada hialóidea
golfada.

Um pouco mais de consideração,
e o terriço líquido, seis dessa tarde
COM OS MAIS SOBERBOS BEMÓIS.

E a península empina-se
pelas costas, acabresteada, impertérrita,
numa linha mortal do equilíbrio.

Tradução : Amálio Pinheiro

 

Árabe

Hafiz-e Shirazi

Tempo & clima, & fortuna & saúde, & raiz & fruta, & estado & destino
Possa você em sua majestade, contínua no ano e nome :
Ano alegre, clima agradável, fortuna plena, e saúde toda
Raiz firme, frutos maduros, estado explêndido e destino domado

 

JOSÉ
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

 

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

 

Uma nuvem em calças

Seus pensamentos,
sonhando num cérebro amaciado
como um lacaio super alimentado num sofá engordurado,
com meu coração em farrapos sangrentos eu irei me decepcionar novamente;
impudente e cáustico, eu zombarei da abundância.

Destituído da gentileza dos avós,
não há um único cabelo grisalho em minha alma !
Trovoando o mundo com o poder de minha voz,
Eu vou indo - formoso,
vinte e dois anos de idade.

Aqueles que são gentios !
Vocês depositam seu amor sobre um violino.
Os cruéis depositam seus amores sobre um tambor.
Mas você não pode, como eu, colocar aquilo que trago dentro para fora inteiramente,
E se tornar nada mais que humana ousadia !

Fora dos quartos desenhados e cobertos em chita, aprendam
inofensivos burocratas das ligas angélicas.

e voce cujos lábios são calmamente manipulados,
Com um cozinheiro vira as páginas de um livro de culinária.

Se você quiser -
Eu serei um furioso elemental da carne,
Ou - transformando em tons que o por-do-sol animam -
Se você quiser -
Serei extraordinariamente gentil,
Não um homem, mas uma nuvem de calças.

Tradução livre : Wilson Sukorski

 

Natan Alterman
Niggun Atik
Uma Antiga Melodia

Se suas lágrimas vertem à noite com um rio,
Minha alegria, eu poderia queimar como palha
Minha cama, se você tem febre, irá aquecer-te,
Posso cobrir-te, dormir no chão.

Se você sente falta de juntar-se à dança
Eu tocarei até que as cordas do arco todas quebrem
Se é um presente de aniversário o que você cobiça
Minha vida é sua, amor, é só pegar.

Se é pão ou vinho o que você quer
Cabiscaixo, ficarei a espera impassível
Até que tenha vendido meus olhos no mercado
E então minha querida possa beber e comer.

Mas se quando eu não estiver com você
e você sorrir e festejar sem pensar,
Eu acabarei com a proteção sobre você
Com raiva moldada em ciúmes.


 

Poema de Bai JuYi
Chuva à noite

Norte do Templo da Montanha Solitária
A oeste do Pavilhão Chia
A superfície da água está curvada
Pelo pé molhado de nuvens.

As primeiras aves lançadas se agitam
Barulhentas por entre as árvores quentes;
Ao redor da casa de alguém novos goles,

Bicadas lama para seus ninhos.
A flor selvagem logo vai florescer
O bastante para encher os olhos de qualquer um.
Mas agora a grama rala
Quase submerge sobre as patas do cavalo.
Eu amo mais o lago leste -
Nunca venho por esta estrada o bastante;
Na sombra do verde salgueiro
Deitado no Aterro de Areia Branca.

 

Shalok

Pavan guroo paanee pitaa maataa dharat meht
Divas raat du-i daa-ee daa-i-aa khaylai sagal jagat
Chagi-aa-ee-aa buri-aa-ee-aa vaachai dharam hadoor
Karmee aapo aapanee kay nayrai kay door
Jinee naam dhi-aa-i-aa ga-ay masakat ghaal
Naanak tay much ujalay kaytee chhutee naal.

Shalok ( Elevação)

O ar é a Sabedoria , a água é o pai, a terra é a mãe. O
mundo se movimenta como as pernas das crianças, como o
dia e a noite.
Todos nossos feitos são tomados em conta pelo "Senhor";
segundo nossos atos nos aproximamos "Dele" ou nos
afastamos.
Aqueles que meditam em seu "Nome" e agem com o melhor
de si, deixam esta terra plenos de radiância e se
tornam inspiradores para muitos outros.

 

Virgen de Urkupiña

Bendicioniquita churauay
Mamitay, mamitay, mamitay
Lhankanay tian HuahuayPac
Chaiaraiku nhokha nhokha
Muvani

Sapa tuta moskhoikuni
Virgencitay huan
Virgem de Urkupiña
Boliviamanta

Taquaricuni, taquaricuni
Virgencitay
De Urkupiña Pac


Virgem de Urkupinha
José Ortiz

Sua benção me dê
Mãezinha, mãezinha
Mãezinha.
Tenho que trabalhar
para meu filho
E é por isso que
Quero, quero viver.

A cada dia que passa
Eu sonho com minha
Virgenzinha de Urcupinha
Da Bolívia.

Eu canto, eu canto
Virgenzinha de Urkupinha