Cyberpunk são lágrimas de computador e sonhos de máquinas. Um cursor pulsante refletido num par de lentes de um óculos espelhado. Uma dobra de carne clonada presa num zíper de uma jaqueta de couro preta. Uma canção de ninar cantada por uma voz sintética para um feto clonado dormindo dentro de um de um tubo de ensaio. É o enroscar dos “disk drivers”, o esfregar dos pistões cheios de óleo, o roçar de pele de plástico contra pele de plástico quando os robôs fazem amor...”

 

HO :: City Lights é uma ópera que conta de maneira retalhada duas histórias entrecruzadas : a dos primeiros hackers e seu desafio contundente contra o poder de fato e da transformação do mundo que realizaram via ataques inteligentes e inovadores, fora os seus métodos não ortodoxos – a segunda é baseada na ética/estética cyberpunk de um universo futuro prenhe de luta contra as corporações e seus imensos bancos de dados – de onde advém poder e controle - num universo povoado por seres etéreos artificialmente inteligentes, trapaça e perseguição implacável dos oponentes, reino do desencanto sem nenhuma esperança. Do cruzamento entre estes dois universos extraímos esta história tão humana.
É baseada em parte no livro “Hackers Crackdown – Law and Disorder in the Electronic Frontier” do autor cyberpunk Bruce Sterling. Com BS foram também discutidos vários dos tópicos e pontos da montagem.
HO :: City Lights está composta em 10 partes prevista para ser exibida em 3 telões de alta resolução com som quadrafônico. Pode ser adaptada para espaços não convencionais. A presente versão está pensada para música eletrônica ao vivo, soprano, textos pré gravados, quarteto de cordas (opcional), performance corporal e ator

HO :: City Lights é uma primeira apropriação do universo hacker e é um estudo, tipo work in progress, em direção a uma montagem futura para orquestra, mais cantores personagens, cenários, iluminação, além de técnicas de mapping e projeções em vídeo.