Dialogando com o Invisível
(homage to György Kepes)
Textos Escolhidos
Robert Buckminster Füller

...espaço vazio, na maioria das vezes, através do qual eventos de energia estão oscilando em um repetitivo equilíbrio, que nossos sentidos podem sintonizar. Um tipo de energia está vibrando a 600.000.000.000.000 de vezes por segundo; e nós somos constituídos de tal maneira que quando este tipo de evento solicita a estrutura retinal de nossos olhos percebemos “luz azul”. Outro tipo, um ciclo pulsado de 261 vezes por segundo, é registrado por nossos ouvidos como “dó central”. A pulsação estável das moléculas contra as moléculas de nossa ponta dos dedos é da mesma forma registrada, através das terminações eletrificadas dos nervos, como “mesa”. Nós, tão longe quanto nossos sentidos podem captar, somos redes de respostas à pulsações. No meio desta rede, sem localização, o capitão fantasma está sempre e constantemente monitorando, intuindo, indagando, decidindo, desejando...
 

A realidade é todo um espectrum de eventos de energia, através de uma pequena porção dos quais nossos sentidos podem sintonizar...
 

Nossos olhos da mesma forma respondem a uma banda restrita do espectro, o comprimento de onda entre o que nos parece ‘vermelho’ e o que nos parece ‘violeta’. Nossos ouvidos não captam gritos de morcego, nem o ritmo lento das asas de uma águia, mas somente os distúrbios no intervalo entre estes extremos em frequência. Uma mão passa sem dificuldade através do ar, o mesmo impacto que a velocidades muito mais altas, levanta um 747 aos céus.
 

Sendo restrito em faixas de onda, cada um dos nossos sentidos se parece com um rádio, e tudo aquilo que for “infra ou ultra à sintonia dos sentidos humanos”, nós tendemos a qualificar como não perfeitamente real.
 

Extender os sentidos com instrumentação é como equipar um rádio com faixas de sintonia adicionais. Desta forma o espectro eletromagnético foi lentamente explorado, a banda total dos eventos energéticos. Ainda que em 99% desta realidade nossos sentidos com suas bandas limitadas não possam nos guiar...
 

A cadeira em que me sento parece ser um objeto sólido, mas eu sei que sento em um vácuo quase total... Tão pequenas são as partículas atômicas, tão largas são suas órbitas que uma sala vazia com apenas algumas partículas de poeira dentro, pareceria lotada comparada com o vazio o qual chamo cadeira e na qual descanso...
 

Assim o universo fechado medieval com sua hirearquia de matéria, mente e espírito foi superado por uma idéia de universo em expansão curvo multidimensional de espaço vazio, onde as estrelas, planetas e suas populações são absorvidos por um redemoinho espacial de um contínuo abstrato,  uma bolha em explosão dentro de um espaço vazio combinado com um espaço de tempo vazio...


Möebius
A garagem Hermética
(Abertura)

...Esta caixa a cabo é um projeto revolucionário, mas precisa de uma última revisão antes ser lançada rumo às estrelas. Como estou muito preocupado com sua estrutura cristalina, vou instalar este projetor de partículas cromáticas de dupla polarização e dar uma experimentada... 
Mais um milagre tecnológico de meu povo. Que coisa engenhosa ! 
Alguns anos atrás eu teria de usar um daqueles antigos projetores de ondas... pesados, pouco práticos...incômodos... perigosos de serem operados por qualquer pessoa... 
Pausa !
Droga ! Eu me esqueci de desligar a válvula de introspecção e ela entrou em ressonância com o projetor de partículas cromáticas de dupla polarização ! Minha linda caixa a cabo está arruinada ! O que devo fazer ? Tudo tem que estar arrumado antes de Lewis Carnelian voltar !


Nicholas Tesla

A cavidade ionosférica terrestre é uma concha esférica com média de 60 a 90 milhas de espessura desde a superfície da Terra até os seus limites superiores. Como resultado de suas pesquisas em Colorado Springs, Tesla acreditava que ondas de rádio em frequências que entrassem em ressonância com o tamanho planetário desta cavidade, poderia ser um meio eficiente para manter a energia circulando ao redor do globo. Isto é, um grande transmissor poderia gerar potência em frequências que vibrassem o mais naturalmente possível dentro da cavidade, perdendo um mínimo de intensidade para a absorção ou para interferências destruitivas.
 

Não é o Universo com suas fronteiras infinitas e impenetráveis uma perfeita válvula a vácuo de dimensões e potência inconcebíveis ? Não são seus brilhantes sóis / catódos / eletrodos em temperaturas muito além das que podemos aplicar nos nossos crús experimentos ? Não são fatos que os sóis e as estrelas estão sobre imensa pressão elétrica, transcendendo qualquer uma que um dia o homem possa produzir, e isto também não verdadeiro para o vácuo no espaço celestial ? Finalmente, existe alguma dúvida que a poeira cósmica e a matéria dos meteoritos presentes em uma infinidade de direções ajam como refletores e transformadores de energia ?
 

...Crookes e outros cientistas vitorianos estavam interessados no fenômeno da telepatia e concluiram que certas pessoas sensitivas podiam se comunicar através de ondas cerebrais de alta frequência. Eles se ‘sintonizavam’ para ressoar na mesma frequência. Sintonia é o coração da transmissão tanto por rádio quanto por televisão.
Pausa
Um sensitivo, diz Crookes, poderia ser uma pessoa que possua ganglios telepáticos transmissores e ou receptores em estado avançado... ou alguém que por constante prática, se torne mais sensitivo a estas ondas de frequências altas... Desta forma, a transmissão de inteligência de um sensitivo para outro através de longas distâncias, parece pertencer ao terreno da Lei e poderia ser melhor conhecido...

Ao chegar a uma pequena câmara secreta na esquerda, encostou-se a um raio de lua para recuperar o fôlego e se pôs a examinar sua situação. Jamais, numa brilhante e ininterrupta carreira de trezentos anos, fora insultado tão grosseiramente. Pensou na duquesa viúva, que assustara a ponto de provocar-lhe uma crise, quando ela se olhava no espelho, coberta de rendas e brilhantes; nas quatro arrumadeiras, que tiveram um acesso de histeria, quando apenas sorria para elas entre as cortinas de um quarto de hóspedes; no vigário da paróquia, cuja vela apagara quando o homem voltava tarde da noite da biblioteca e que, verdadeiro mártir de perturbações nervosas, estivera desde então, sob os cuidados de sir William Gull; na velha madame de Tremoillac, que tendo acordado cedo certa manhã e visto um esqueleto sentado numa poltrona ao pé da lareira, a ler o diário dela, ficou seis semanas de cama com febre cerebral e, ao restabelecer-se, reconciliou-se com a Igreja e rompeu relações com o notório cético, Monsieur Voltaire...

O Fantasma de Canterville
Oscar Wilde

Textos Conexos
Com a descoberta de Maxwell que a luz era uma onda eletromagnética que se propagava através do espaço na velocidade C, estava pressuposto que este espaço era o espaço absoluto Newtoniano. Estava implícito que os movimentos rotacionais e revolucionais da Terra neste espaço luminiscente poderia ser detectado por um interferômetro montado horizontalmente na superfície da Terra. Os cientistas pensaram que poderiam detectar o “vento” que os críticos de Copérnico esperam a tempos, mas o interferômetro de Michelson-Morley revelou que este não existia. Fitzgerald e Lorentz tentaram salvar este espaço etéreo invoncando a dilatação temporal e a contração do comprimento que tornavam impossivel detectar a anisotropia da velocidade da luz. Strokes rejeita o espaço isotrópico que não é afetado pela massa e ao contrário teoriza que a Terra suga seu espaço gravitacional das proximidades junto com seu movimento inercial de queda livre em relação ao Sol, assim não haveria vento etéreo para ser detectado...
Então veio Einstein e cortou este nó górdio abandonando de uma só vez as teorias físicas e objetivas por uma mera descrição das medidas em relação a um observador. Trouxe a física de volta ao método Ptolomáico. Ao invés de relacionar o movimento do Cosmos com as massas e seu espaço gravitacional, tentou basear a física no princípio de relatividade da balística de Galileo. Deduziu equações que poderiam relacionar todo o movimento a um observador inerte, não importando qual a velocidade do observador no Cosmos. A velocidade fixa da luz contradiz a relatividade Galileana, então Einstein foi forçado a presumir algo inteiramente impossível – que a luz, mesmo a mesma luz, se move à velocidade c relativa a qualquer e todo observador inerte, independente da sua velocidade no Cosmos. Desde que a luz atualmente não pode, neste Cosmos, se mover a uma velocidade relativa a qualquer observador, a constante absoluta ‘c’ de Einstein permaneceu como uma contradição não resolvida. Einstein reverteu a revolução Copérnica, retornando a física à mera descrição do movimento em um dado cenário arbitrário. Em protesto contra a física subjetiva e descricionista de Einstein, proponho que recriemos uma física teórica verdadeira – uma que possamos novamente aceitar o desafio de explicar as causas do fenômeno cósmico através daquilo que podemos ver e medir...
Fora da física nada sabemos a respeito da ação à distância. Quando tentamos conectar causa e efeito nas experiências com objetos naturais à nossa disposição, parece a princípio que não exista ação mútua sem contato imediato, por exemplo, comunicação de movimento por impacto, impulso e repulsão, calor ou combustão induzida por uma chama, etc. É verdade que o pêso na nossa experiência cotidiana, que é num certo sentido uma ação à distância, desempenha uma parte muito importante. Mas desde que na nossa experiência diária o peso dos corpos nos remeta a algo constante, algo não ligado a uma causa variável no tempo e espaço, assim não podemos relacionar a sua causa à gravidade, e assim não ficamos conscientes de sua característica de ação à distância. Foi a teoria gravitacional de Newton que primeiro relacionou a gravidade interpretando-a como uma ação à distância, partindo da massa. A teoria de Newton é provavelmente o maior passo já dado no esforço de explicar o nexo causal dos fenômenos naturais. Ainda que esta teoria tenha causado uma forte sensação de desconforto entre os contemporâneos de Newton. pois parecia em conflito com os princípios demonstrados pelo resto da experiência, ou seja, que só poderia existir ação recíproca por contato e não por ação à distância...
Quando na primeira metade do século XIX a similaridade à longa distância foi revelada, a qual subsistia entre as propriedades da luz e aquelas das ondas elásticas nos corpos ponderados, a hipótese do éter encontrou novo suporte. Parecia sem dúvida que a luz deveria ser interpretada como um processo vibratório num meio elástico, inerte, que preenchia todo o espaço universal. Também parecia uma consequência necessária ao fato de a luz ser capaz de polarizar este meio, o éter, precisaria ser necesseriamente da mesma natureza dos corpos sólidos, pois as ondas transversas não são possíveis num fluído, mas sómente nos sólidos. Assim os físicos estavam próximos de chegar a uma teoria do “éter quase rígido luminiscente’, cujas partes não tinham movimento relativo entre si, exceto os pequenos movimentos de deformação que correspondem às ondas de luz. 
Este dualismo ainda pernamece de forma insuspeitada na teoria de Hertz, onde a matéria aparece não apenas como sustentáculo das velocidades, energia cinética e pressão mecânica, mas também como sustentáculo do campo eletromagnético. Desde que estes campos também ocorrem no vácuo, isto é, no éter livre, este mesmo éter também parecia ser o sustentáculo do campo eletromagnético. Assim o éter parecia indistinto em suas funções da matéria normal. Dentro da matéria, faz parte do movimento da própria matéria e no espaço vazio tem a mesma velocidade. Assim parece que o éter tem uma velocidade definida através de todo o espaço. Não existem diferenças fundamentais entre o éter de Hertz e a matéria ponderável (que em parte subsiste no éter).
A próxima posição que é possível tomar em face deste estado de coisas parece ser a seguinte. O éter não existe. Os campos eletromagnéticos não são estados de um medium, e não estão ligados a nenhum sustentáculo, mas são realidades independentes não redutíveis a nenhuma outra, exatamente como os átomos da matéria ponderável. Esta concepção sugere em si, de acordo com a teoria de Lorentz, que a radiação eletromagnética, como a matéria, trazem impulso e energia em si, e como, de acordo com a teoria especial da relatividade, ambas matéria e radiação são apenas formas especiais de energia distribuida, assim a massa ponderavel perde o isolamento e aparece como uma forma especial de energia.


(Albert Enstein – 1920)
Neste modelo a extensão conhecida do universo físico está preenchida por éter, que é um gás muito quente (temperatura cinética da ordem de 1032 Kelvin). As partículas que compõem este fluído são chamadas ‘gyrons’ por causa da propriedade física básica do éter ser o comportamento giroscópico que emerge destas partículas que têm uma forma oblonga. O tamanho de cada gyron é assumido corresponder a comprimento de Planck que é 1.616 x 10 –35 de metro. Por exemplo, o próton, com um tamanho na ordem de 10 –15 mt, que é considerado como um estado rotacional dinâmico dentro do éter, é de proporção galática em relação ao gyron. Então, tal entidade como o elétron e o próton, que são correntemente denominados de partículas elementares, são vistos como fluxos rotacionais (vórtices) envolvendo um largo número de ‘gyrons’, cujo movimento representa a mais fundamental forma de energia.
Aristóteles argumentava que o universo é esférico e finito. Esférico porque esta é a mais perfeita das formas; e finito porque tinha um centro, isto é, o centro da Terra, e um corpo que tem um centro não pode ser infinito. Ele acreditava que a Terra também é esférica. Que era relativamente pequena em comparação com as estrelas, e ao contrário dos corpos celestes estava sempre em repouso. Para provar este seu último ponto, ele remetia a um fato empíricamente provado; se a Terra estivesse em movimento, um observador nela veria as estrelas fixas se movendo, da mesma forma que vemos os planetas se movendo em relação à Terra estacionária. Entretanto desde que não é este o caso a Terra está em repouso. Para provar que a Terra é uma esfera, ele produziu o argumento que todas as substância terranas se moviam em direção ao centro, e isto levaria eventualmente a formação de uma esfera. Também utilizou evidências baseadas em observações. Se a Terra não fosse esférica, o eclipse lunar não mostraria segmentos com linhas curvas. E quando viajamos do norte para o sul não vemos as mesma estrelas no céu à noite, nem elas ocupam as mesmas posições no céu. Que os corpos celestes também devem ser de formato esférico pode ser determinado por observação. No caso das estrelas, Aristóteles argumenta que tinham que ser esféricas, pois esta forma, que é a mais perfeita, facilitaria a elas manter a mesma posição... 
O detector de pessoas é um aparato micro eletrônico de baixo custo que pode detectar a presença tanto de objetos móveis quanto estacionários através de materiais sólidos. Sua habilidade de opera através de qualquer material não condutivo (parede, carpetes, folhas de rocha, madeira) permite completa invisibilidade. O sensor funciona detectando pequeníssimas mudanças num campo elétrico de ultra baixa energia, gerado entre duas antenas remotas e seus eletrodos. Seu campo pode ser ajustado desde de polegadas até 12 pés e pode ser usado para cobrir toda uma sala.
Na automação doméstica há necessidade de detectar a presença de uma pessoa para controlar a iluminação. O desafio é que se a pessoa estiver quieta sentada numa cadeira, ou deitada numa cama, as luzes poderão ser ligadas ou desligadas em momentos impróprios em virtude do movimento requerido para sua detecção. A propriedade do detector de pessoas de perceber objetos estacionários resolve o problema. 


(Catálogo Russel Bik Design)
Éter

A personificação do ar puro superior onde os Deuses residem, em contraposição com o ‘aer’ o ar baixo que os mortais respiram. Nos primórdios da cosmologia grega, Éter era filho de Erebus e Nyx e irmão de Hemera. Ele era um dos elementos do Cosmos e nos hinos órficos ele é mencionado como a alma do mundo de onde toda a vida emana..

Radiação Eletromagnética 
Ënergia irradiada na forma de uma onda causada por um campo elétrico interagindo com um campo magnético. A radiação eletromagnética é o resultado da aceleração de partículas carregadas. Não requer nenhum medium e pode viajar através do vácuo. A teoria da radiação eletromagnética foi desenvolvida por James Clerk Maxwell e publicada em 1865, ainda que suas idéias não tenham sido aceitas até Heinrich Hertz provar a existência de ondas de rádio em 1887. Existem vários tipos de radiação eletromagnética dependendo do comprimento de onda e frequência : ondas de rádio, micro-ondas, radiação infravermelha, luz visível, radiação ultra-violeta, raios X e radiação gama. As fontes possíveis geradoras de radiação eletromagnética dependem diretamente do comprimento de onda; assim as longas ondas de rádio são produzidas por grandes antenas como as usadas pelas estações transmissoras; as ondas muito menores da luz visível são produzidas pelo movimento das cargas dentro dos átomos; as ondas mais curtas, as dos raios gama são resultado de mudanças provocadas dentro do núcleo do átomo. O quantum individual de radiação eletromagnética é chamado de fóton.
...ainda que o Espaço e o Tempo sejam conceitos matemáticos bem definidos que se comportam de acordo com seus postulados. Isso não necessariamente implica que, na ausência de forças externas conhecidas, todo mecanismo material usado em algum contexto localizado, como um relógio ou uma régua, devam se comportar classicamente, isto é, continuar constante comparado com os standards). Deve ser considerado satisfatório o bastante se o comportamento experimental destes relógios e réguas possam ser descritos de maneira consistente dentro de um esquema de descrição escolhido, invocando talvez algum novo fenômeno. Os relógios são usados para medir tempo, não o Tempo e as réguas usadas para medir espaços, não o Espaço, da forma similar como pressão de gases, correntes elétricas são medidos por instrumentos correspondentes. O Tempo e o Espaço são tijolinhos teóricos de uma descrição que não pode ser medida no mundo físico, mas definidas num modelo de mundo... 
Um éter muito simples é postulado. Este éter é representado por um conjunto de entidades pontuais (aterinos) que perpassam todo o espaço. Os aterinos não são partículas materiais. Não têm nenhuma propriedade material intrínseca (massa, carga, momento magnético, spin, etc), mas são responsáveis pela aparição destas propriedades na matéria, que são postulados como sendo um conjunto de entidades de outro tipo – partículas simples.
 

(Eve ,   A  Model of the Aether)
Os bons pensantes não podem menosprezar que nós inevitavelmente iremos aprender a manejar as mesmas forças que movem os planetas e que também movem os elétrons em suas órbitas.

Nem ninguém pode desprezar a falácia de um verdadeiro sistema fechado, desde que a gravidade e o éter permeiam todos os experimentos. Quando apreendermos a separar, bloquear ou cancelar estas forças omnipresentes, aí sim estaremos perto de dizer que temos um VERDADEIRO sistema fechado. Como apontou Hal Fox , não devemos nos esquecer que quando aqueles entre nós que estudam e se mantém abertos a uma ciência alternativa, falam sobre energia ‘livre’, estão se referindo à CONVERSÃO da energia ambiente do ponto zero do ruído de fundo do espaço, e NÃO como afirmam a maioria dos críticos, que nós estamos tentando tirar algo do nada...
Já em 1800 Sir William Herschel escrevia : embora tenhamos apenas evidências e nenhuma dedução ou explicação deste fenômeno, notamos que o espectro abaixo do vermelho não termina aí, mas há uma certa quantidade de energia refratada, em distúrbio, além do campo das côres prismáticas... “Agora está evidente que há uma refração de raios vindos do Sol, que ainda que não atinjam a visão, estão investidos do poder de gerar calor, continuarei a examinar sua extensão...” “Por meus experimentos estou suficientemente convencido que nenhum raio, que possa existir após o violeta, possa ter nenhuma força provável, nem na forma de luz, nem de calor e que estas duas forças se prolongam por todo o espectro prismático, e terminam onde o mais distante violeta desaparece“...
Albert Einstein 
(Written for the centenary of Maxwell's birth - 1931)

- I -
O trabalho de Clerk Maxwell foi de uma profunda importancia conceitual e teve como efeito a reorganização espistemológica e lógica da substrutura da ciência física, não apenas na sua determinação das propriedades matemáticas da radiação, que teve imensa repercussão para a tecnologia científica, e também na forma como ele concebeu e desenvolveu a natureza do campo e estableceu a realidade do campo como sendo a realidade de todos os fenômenos espacio-temporais.

- II -
Mesmo deixando de lado a importância de resultados particulares que o trabalho da vida de Maxwell teve sobre importantes áreas da física, e dirigindo nossa atenção a modificação do conceito de realidade física trazida por ele, podemos dizer : Antes de Maxwell as pessoas pensavam a realidade física – assim como representavam os eventos na Natureza – como pontos materiais, cujas mudanças consistiam somente em movimentos que eram sujeitos totalmente a equações diferenciais. Depois de Maxwell se concebe a realidade física como representada por um campo contínuo, não explicável mecânicamente, que estão sujeitos a equações diferenciais parciais. Esta mudança na concepção da realidade é a mais profunda e frutífera que a física já passou depois de Newton... 
A Voz do Silêncio
Helena Petrovna Blavatsky 
(Tradução Fernando Pessoa)

Som sem som
Todas as formas que ele vê em sonhos
Antes que Alma possa ouvir, a imagem (o homem) tem de se tornar surda aos rugidos como aos segredos, aos gritos dos elefantes em fúria como ao sussurro prateado do pirilampo.
E então ao ouvido interior falará : A Voz do Silêncio.

Seria preciso, pois, evocar a imagem de espectro com mil nuances, com degradações insensíveis que fazem com que passemos de um tom ao outro. Uma corrente de sentimento que atravessaria o espectro tingindo-se, de cada vez, com cada uma das nuances, experienciaria mudanças graduais, cada uma anunciando a seguinte e resumindo nela as que a precedem. Ainda as nuances sucessivas do espectro permaneceriam sempre exteriores umas às outras. Elas se justapõem. Elas ocupam espaço. Ao contrário, o que é duração pura exclui toda idéia de justaposição, de exterioridade recíproca e de extensão.
(Henri-Louis Bergson - Introduçao à Metafísica)
Diante de um cone sólido, vejo sem dificuldade como ele se estreita para cima e tende a se confundir com um ponto matemático, e também como ele se alarga na base em um círculo infinitamente crescente. Mas nem o ponto, nem o círculo, nem a justaposição dos dois sobre um plano me darão a menor idéia de um cone.
(H.Bergson - Introdução à Metafísica)
Diremos o mesmo da mudança. O entendimento a decompõem em estados sucessivos e distintos, supostamente invariáveis. Considere-se de mais perto cada um desses estados, perceber-se-á que eles variam; como poderiam duram se não mudassem, perguntamos ? O entendimento os substitui por uma série de estados menores, que se decomporão por sua vez, se necessário, e assim indefinidamente. Como, entretanto, não ver que a essência da duração está em fluir, e que com o estável acoplado ao estável não se fará jamais algo que dure ? O real não são os "estados", simples instantâneos tomados por nós, ainda uma vez, ao longo da mudança; é, ao contrário, o fluxo, é a continuidade de transição, é a mudança ela mesma. Esta mudança é indivisível, e mesmo substancial.Se nossa inteligência se obstina a tê-la por inconsistente, a ajuntar-lhe não sei que suporte, é porque a substituimos por uma série de estados justapostos; mas esta multiplicidade é artificial, e artificial também a unidade que aí restabelecemos. O que há é um progresso ininterrupto de mudança - uma mudança sempre aderente a si mesma numa duração que se alonga sem fim.
(H.Bergson - O Pensamento e o Movente)
"tu, porém, deves aprender tudo: tanto o coração inconcusso do desvelamento em sua esfericidade perfeita, como a opinião dos mortais a que falta a confiança no desvelado"
(Parmênides)
"Há uma luz que o vento apagou.
Há um cântaro na campina, que ao entardecer um embriagado abandona.
Há um vinhedo, queimado e negro com covas cheias de aranhas.
Há um espaço que caiaram com leite"

"Há um restolhal em que uma chuva negra cai.
Há uma árvore sombria aí fincada solitária.
Há um vento sibilando, rondando antigas choupanas -
Como é triste esta noite"

(Martin Heidegger - 
Seminário sobre o Tempo e Ser)

 
Excelsior ! - "Nunca mais rezarás, nunca mais adorarás, nunca mais descansarás na confiança sem fim - te proibes de parar diante de uma sabedoria última, bondade última, potência última, e desaparelhar teus pensamentos - não tens nenhum constante vigia e amigo para tuas sete solidões - vives sem a vista de uma montanha que traz neve sobre a fronte e brasas no coração - não há mais para ti nenhum pagador, nenhum revisor para dar a última mão - não há mais nenhuma razão naquilo que acontece, nenhum amor naquilo que te acontecerá - para teu coração não está aberto nenhum abrigo, onde ele só tenha o que encontrar e nada mais para procurar - tu te defendes contra qualquer paz última, queres o eterno retorno de guerra e paz: - homem da renúncia, a tudo isso queres renunciar ? Quem te dará a força para isso ? Ninguém ainda teve esta força !" - Há um lago, que um dia se recusou a escoar, e levantou um dique ali, por onde até agora escoava: desde então esse lago sobe cada vez mais alto. Talvez precisamente aquela renúncia nos emprestará também a força com que a própria renúncia poderá ser suportada; o homem, talvez, subirá cada vez mais alto, desde que deixar de desaguar em um deus.
(Friedrich Nietzsche - A Gaia Ciência)
Ó homens superiores, vem vindo a meia noite: então quero dizer-vos algo nos ouvidos, como aquele velho sino o está dizendo em meu ouvido -
- tão secretamente, tão pavorosamente, tão de coração, como o diz a mim aquele sino de meia noite, ele que viveu mais coisas do que um homem :
- que já contou as batidas de coração e de dor de vossos pais - ai! ai! como ela suspira ! como ela ri em sonho ! a velha, profunda, profunda meia noite !
Quietos ! quietos ! Já se ouve muita coisa, que de dia não pode dizer-se em voz alta; mas agora, com o vento fresco, quando também todo do barulho de vossos corações se aquietou -
- agora isso fala, agora isso se ouve, agora isso se esgueira em noturnas almas vigilantes : ai ! ai ! como ela suspira ! como ela ri em sonho !
- não ouve tu, como ela secretamente, pavorosamente, de coração, fala contigo, a velha, profunda, profunda meia noite ?
Ô humano, presta atenção !
(F. Nietzsche - Assim falou Zaratustra)