The Art of Spanking

A Arte da Palmada

- Trechos Escolhidos -

Jean-Pierre Enard

 

 

Tradução livre : Wilson Sukorski /10

meu nome é Eva, você sem dúvida viu fotos minhas . Eva Lindt . A rainha da fofoca, a sultana do escândalo... “ La Lindt ” me chamam na televisão, onde a cada sexta às 10 da noite ofereço a visão do meu dorso e decote, além de algumas piadas apimentadas...

Alto, ainda em forma, grisalho nas têmporas, o rosto de quem aparenta que amou e sofreu o suficiente... através da janela, seus olhos estavam fixos nas nádegas de uma passageira, enquanto ela subia a bordo... uma outra garota desliza a nossa frente na plataforma. Um shorts super apertado a moldava como uma divina segunda pele. Ela caminhava com um balançar, suas protuberâncias separadas por um pequeno pedaço de tecido... meu vizinho babando... retira do bolso um pequeno livro verde de notas, e escreve nele furiosamente...

...ninguém entende o que é o “espancar”. Alguns pensam que é uma punição infantil. Outros uma mania ridícula. Mas é a mais fina forma de homenagem, a mais digna, mais refinada, à mais generosa parte da mulher : as nádegas... você sabia, Eva, que os humanos são os únicos agraciados com nádegas ? Animais tem posteriores... Nós temos este arredondado arrogante, adorável, que atrai, protubera, provoca... na mulher assume a forma de uma deliciosa curva, um irresistível apelo à mão...

- Espancar não é bater... é carícia e violação ao mesmo tempo... espancar uma mulher é melhor que transar com ela...

Eu era muito jovem na época e não percebia que uma prostituta que não goza é muito mais honesta que uma amante que pretende... Naquela noite eu estava particularmente em fogo, penetrando profundamente nela, enquanto com as mãos acariciava os bulbos carnosos de seu rabo que dançavam, mas ela parecia pensar em algo distante, talvez o que haveria para o jantar à noite, ou relembrando pela centésima vez a história do “E o Vento Levou”... Sentindo que ela estava em outro lugar, talvez perto de Atlanta, fiquei furioso, e derrepente minha mão bateu furiosamente nas nádegas da prostituta... Nunca havia espancado alguém anteriormente. Nunca sequer havia pensado nisto antes...

O resultado foi espantoso. Gina se esticou para trás. Seus olhos se ascenderam, se inclinando sobre mim, ela pressionou seus lábios contra os meus, sua língua penetrou minha boca, me provocando. Repeti o gesto, agora com mais força e em ambas as nádegas, provocando um ruído ainda mais forte... Minha amazona gritou de prazer... Não pude mais me controlar – me entreguei totalmente a ferocidade de Gina, cujos gemidos eram indistinguíveis do prazer ou do choro.

Sempre acreditara que um homem nunca bate numa mulher “nem mesmo com uma rosa” como dizia meu avô , ele disse... porque isto arruina a flor e não melhora a mulher ... Mas alegremente mudei de idéia com Gina ...

Caminhar era pior... Não conseguia parar de encarar os traseiros das mulheres passantes. E eles eram de todos os tipos : descarados, cansados, generosos, enfáticos, glutões, arrogantes, desdenhosos, majestosos, fanáticos, austeros, desgostosos, promissores... Me imaginava em poder daquelas máquinas mágicas que as crianças inventam – que permitem ver a nudez escondida de tudo e todos ao redor...

Imaginava estes globos de carne aprisionados em calcinhas rosa ou pretas, amplos shorts, laços desobedientes. Uma garota, que observei durante um certo tempo, flutuava em sua saia justa que estreitava nos joelhos, devia estar usando uma calcinha transparente de seda, enfiada por entre as nádegas, mal cobrindo o monte de Vênus... A outra, poderia apostar, não usava nada embaixo de sua saia rodada de garota de escola...

O aficionado e estudioso do “ spanking ” ignora o que dita a moda... ele caminha pelas ruas sem ser afetado pelas convenções, aberto a todas as formas de encontro :

existem bundas estreitas que parecem querer se esconder por sobre as pernas, como se estivessem vergonha de serem observadas... há bundas redondas – meio gordinhas – sobrando dentro dos jeans... há bundas maliciosas, muito curvadas, meio anguladas, sua forma se ajusta às calças tão apertadas, que se pode notar a marca das calcinhas... grandes bundas, bundas fortes que são salientes com tanta autoridade – que você acaba pensando que nunca poderá domá-las... bundas falsamente achatadas que parecem sem forma definida, mas que revelam sua maciez secreta somente quando em movimento... bundas arrogantes que suas donas, conscientes de seu charme, nunca perdem a chance de balançá-las... bundas modestas escondidas embaixo de saias longas, aparecendo apenas quando um jato de ar de uma grelha de metrô revela por um instante fugaz... bundas temperamentais, rígidas ou relaxadas dependendo do humor, ora vívido e alegre, ora ameaçador, tenso... bundas lângidas preguiçosamente gingando, que tremem à aproximação de uma mão... as bundas inocentes, com curvas impecáveis escondidas embaixo de calcinhas de algodão... as bundas espertas onde sempre impera uma sugestão de assimetria, que excita a todos... a bunda falsa magra e as verdadeiramente gordas... bundas dorminhocas, deitadas e esperando por um beijo que as acorde... bundas vibrantes de insinuação ao deboche... bundas amplas cuja flutuabilidade foram bem testadas e aprovadas por um bom e leal serviço... bundas virgens, rubras, desejando mais e mais, atraindo você para mais longe em direção às delícias sem retorno...

E foi assim, então, que eu a vi, ou vi aquilo : uma massa redonda pronta a pular fora de um shorts amarelo - brevemente revelando a majestosa dobra de carne entre as coxas e as nádegas, uma enebriante promessa de intimidade...

Eu contemplava de longe este rabo balançando em frente a meus olhos, para o que os soldados, tipos comuns neste tipo de estação ferroviária, não prestavam a mínima atenção... eu imaginei aquilo ligeiramente bronzeado pelo sol, com marquinhas... fechei os olhos e imaginei minha mão naquela pele... quando abri percebi que estava sendo observado... A mulher tinha provavelmente sentido a fixidez de meu olhar... tinha entendido meus devaneios e meus desejos...

Inge pressionava seu corpo contra o meu... puxei seu top para baixo, seus peitos balançavam livres... chupei e mordi... meu sexo duro contra sua fenda... subitamente ela se virou e ficou na mesma posição na qual eu havia visto pela primeira vez... cabeça na janela, nádegas seguras por mim... então, fiz aquilo que tanto esperei... comecei com um pequeno tapa bem no meio de sua bunda... Inge gemeu... eu bati mais forte até escutar o ruído de minha palma... a terceira palmada foi mais embaixo na borda da coxa... eu bati nela com a palma da mão, observando cada impacto, me sentindo explodir enquanto sua pele ficava avermelhada e ela gemia de prazer...

O “ spanking ” é também um show... é teatro de rua ou ópera lírica, dependendo das circunstâncias... fomos tomar café no vagão restaurante...eu sentia que ele se interessava... na escada eu exagerava o ângulo dos quadris... como uma “ call girl ” tentando seduzir um cliente... mas ele tinha um modo muito peculiar de avaliar um traseiro... ele media, pesava, estimava o mundo de prazeres que ele prometia apenas com os olhos... eu podia sentir um arrepio quente na pelvis... mesmo sem querer eu começava a acentuar minhas curvas...mexer a bunda como algumas fazem com os seios... reduzindo a si mesma a nada a não ser dois montes de carne... dóceis, móveis, tenros... Suas nádegas sendo você inteira...

O espancamento não é nem força, nem coação, nem violência... quem quer que o use como punição ou para forçar algo, demonstra que nada entendeu desta Arte... para mim sadismo e masoquismo causam o maior horror... pregos, chicotes, insultos e abusos são para os outros... as vezes as pessoas confundem as coisas e assim aconteceu com Clara...

- Tinha treze anos, ela continuou... todos diziam que meu vizinho tinha estranhos hábitos sexuais, coleções... a casa estava vazia, a porta sempre destrancada ... sua coleção de livros eróticos ficava no primeiro andar – num quarto... devorei aqueles livros, instintivamente fui levantando a saia, tirando a calcinha em visível excitação.... e justo neste momento meu vizinho voltou...

Ele me pegou nos braços... achei que ia morrer de medo... ele me deitou na cama... Não diga nada a sua família !! ele tirou minha calcinha e me encheu de palmadas... me bateu muito e doia... fui para casa...

Ele pegou o livro verde, folheou mostrando alguns desenhos... em um deles tinha uma garota tirando um jeans sobre o qual nada usava, suas nádegas adolescentes pululavam para fora como se estivessem ficado pressas por longo tempo e estavam loucas para ficar livres... o segundo desenho era de uma mulher nua, tão gordinha quanto um modelo de Renoir, despia sua lingerie bordada... o terceiro uma adolescente com nádegas como avelãs deitada de bruços, bem formada, com as pernas abertas, enquanto uma outra garota nua, engalfinhada a seus pés a ajudava com sua calcinha... achei que reconheci Clara como sendo esta... A modelo no quarto desenho poderia ser capa de uma revista de moda, usava calcinha delicadamente ornada, liga de seda e meias que exibiam uma mostra de carne logo acima das coxas... um homem delicadamente retirava suas roupas...

Mas o livro permaneceu aberto e nele a figura de duas mulheres com Casanova... uma, cabelos negros e autoritária... a outra loira mais encorpada, parecendo uma daquelas garotas das ruas de Paris.

- É aquela famosa atriz de Hollywood, e esta é Françoise, sua secretária... Isto aconteceu na Flórida ano passado ... mas não importa...

- o que acontecia na cena desenhada ?

Pessoas se espancando certamente... Casanova espancando a morena enquanto a loira o espancava... o espancador sendo espancado ... Ela não ficava no meio caminho, a querida Françoise, era a mais energética de todos... eu estava fascinada com a cena de três juntos...

Já tinha estado na cama com homens e mulheres juntos... certa vez um amigo me levou a um bosque onde me forçou a me despir enquanto homens apareciam entre os arbustos e se masturbavam enchendo de semem os vidros do carro...

Coloquei Françoise em meus joelhos e a espanquei até que sua pele de um branco vívido ficasse violeta...

- é o suficiente , disse Virginia...

Françoise chorava, mas significativamente esfregava sua barriga contra minhas coxas enquanto emitia gemidos de prazer e lágrimas... Virgínia tinha uma bunda mágica... pequena, finamente moldada, sensual como o diabo, inclinada sobre as coxas...

Agarrei a morena e forcei-a a ficar sentada de pernas abertas, arranquei sua calcinha, revelando sua vulva exuberante... sem poder resistir, enfiei minha língua em seus lábios íntimos que estavam ainda molhados e com perfume de prazer... Françoise nos observava com um sorriso maroto... Virginia a puxou e beijou-lhe os lábios.

- Me espanque , ordenou...

apoiada num banquinho esticada por sobre suas pernas, oferecendo sua bunda...

- Me espanque , repetia...

Fiquei por perto... estimulado por antecipação pelo espetáculo que viria... Eu não via uma mulher espancando outra desde os tempos da Rue Cavour... Françoise deu um tapinha tímido na bunda de sua chefe...

- Vamos, me espanque. ..

Françoise enfim deu uma série de sonoros tapas no rabo da estrela... meu nariz estava na altura da sua bunda... minha mão coçando, queria muito estar no lugar de Françoise... me ajoelhei entre suas coxas, assim minha boca ficava à altura de ambos os sexos... trabalhei os dois com minha língua, primeiro um, depois outro...

Virginia com gosto de algas temperadas com canela e pimenta rosa... Françoise me oferecia um espesso licor de baunilha, com cheiro de ostras marinadas... de repente Virgínia soltou um grito mais forte que em todos os filmes de terror que havia estrelado... Neste instante também Françoise me apertou o pescoço quase me enforcando...

Virgínia se apoderou de meu instrumento e começou a espancar a bunda de Françoise com ele... cada batida me fazia chorar de prazer... mas este bastão de carne era indomável... Virgínia agia como se quisesse separá-lo de mim...

Então Françoise assumiu uma posição mais conveniente, ficando de quatro, totalmente aberta para mim... então eu a penetrei, encantado com o formato da vulva...

Virgínia não me deixou em paz, forçando me a penetrar o ânus, cheirando a almíscar e ambar que se fechou sobre minha vara como uma concha... assim fiquei trocando : na frente e atrás... quando adquiri o rítmo, Virgínia montada em minhas costas, começou a me espancar com força... eu vergava sobre seus golpes... minha bunda fervia... Virgínia me batia com a palma da mão... Françoise começou então a dançar sobre mim, transportada a um transe misterioso e cerimonial... um tremor começou a tomar conta, subindo pela espinha até tomar todo meu ser... enquanto Virgínia continuava a me espancar enquanto esfregava seu monte contra as minhas costas – até gozar...

Eu estava completamente nua na cabine 6 de Donatien Casanova, carro 14, no trem Paris-Veneza – somente com uma pequena calcinha de seda...

- Você quer isto ??

Minha excitação era tão grande que nem consegui articular um sim... Ele passou a mão indiferente por sobre a minha bunda com penugens loiras. Deslizou seu dedo em minha gruta e explorou minha intimidade... eu tremia... me virou de costas – com as mãos nos joelhos... suas mão exploravam minha bunda com uma precisão e perspicácia que eu podia ver em seu olhar... puxou minha calcinha à altura dos joelhos, num só movimento rápido...

Começou a mexer sua língua no espaço entre as dobras de meus dos lábios... enquanto minha mão dançava na minha caverna... masturbando e antecipando o que estava a vir...

me pediu que ajoelhasse a seus pés... minha boca a altura de seu sexo... queria tê-lo...

- Você tem que aprender a esperar , ele disse...

Explorou me traseiro novamente, beliscando e acariciando... o primeiro tapa veio como em um cilada, com um movimento da mão em ângulo... me surpreendeu tanto quanto doeu, eu pulei...

Ele me espancou com júbilo, que me afogava de prazer...

Nisto apareceu Clara...

Ver outra mulher espancada, ser espancada por ela, me levou ao limite...

Clara logo subiu sobre mim, sua língua em minha boca... esfregando a lava de seu sexo contra meu monte... fui levada por um imenso orgasmo... me sentei e comecei a espancá-la... espantada pelo novo prazer que tomava conta de mim... o livro verde tinha razão é tão bom receber quanto dar...

Completamente absorvida pelas novas descobertas – suas nádegas tremendo por sobre as minhas mãos, nem percebi que Casanova havia saído... nem que o trem havia parado... nem a voz rouca que anunciava :

- Veneza, Veneza...